Antes mesmo de se ter
um nome, uma vila, que tinha aproximadamente quinze casas, todas grudadas uma
nas outras, morava ali uma mulher com uma aparência horrenda e assustadora. Era
possuidora de uns enormes olhos, acompanhados de uma sobrancelha espessa como
antenas de barata. Tinha um sinal tão grande em seu nariz que muitos confundiam
com um carrapato que estava ali pousado. Seus lábios eram grossos e sofria de
um excesso de pelugem, dado a isso, tinha um enorme bigode que raspava
costumeiramente deixando seu lábio superior enormemente verdeado. Mas, apesar
de todos estes defeitos, tinha um corpo bastante sexy e atraia olhares de vários
homens solteiros e casados. Morava apenas com a sua mãe, uma senhora já doente
e portadora de cadeiras de rodas.
Conta o povo que aquela mulher era louca para fazer sexo com
um homem casado, bastante sedutor; este era vizinho seu e ela sempre fazia de
tudo para manter relação sexual com ele, mas este, no entanto, com asco da
pobre mulher e com um cardápio apraz, se fazia de surdo quando essa lhe enviava
cantadas, até mesmo quando tomava seu banho e fazia serenatas de amor para ele,
com letras chulas e indecentes, possivelmente se masturbando pensando nele. A
tristeza pela a tração não correspondida, aquele louco desejo, lhe deixava
molhada nos dias de excitação e abstenção ao sexo, lhe afundava ainda mais o
rosto e lhe deixava com uma aparência mais horrível ainda. Sempre que tinha
oportunidade, provocava-o, e sempre deixava sua janela aberta quando iria
trocar a roupa. Insinuava-se com os seios para fora, mas o homem, envergonhado,
fechava a janela e acabava com o show da garota. Até que certo dia, a esposa e
os três filhos do homem fizeram uma viagem de nove dias para possivelmente
visitar a sua mãe que morava tão longe da cidade e que estava bastante doente.
Assim o caminho ficou livre para ela. Ou seria naqueles nove dias, ou seria nunca
mais.
Numa noite quente, a mulher, com a maior cara de pau
possível, bateu na porta do homem com apenas um shortinho de dormir e uma
camisa demasiada transparente, de modo que era possível observar claramente os
seus mamilos pontiagudos e enrijecidos por tamanha excitação. O homem ficou
estupefato com tanta sensualidade.
- Você poderia me dar um pouquinho de açúcar? – Disse ela
com um recipiente nas mãos.
- Sim, pois não. – Disse o homem trajado apenas com um short
de clube. Em seu peito havia um enorme sinal vermelho de nascença com a
aparência de uma cruz. O sinal ia do mamilo esquerdo até a sua costela bastante
peluda.
Quando o homem foi até a cozinha buscar o açúcar no
recipiente, a mulher entrou e o seguiu sorrateiramente com passos largos e
silenciosos. Vislumbrou aquele homem ali na cozinha, seminu, com aquele short
sedutor, aquele abdominal dividido e peludo. Sentiu uma vontade enorme de pular
em cima dele, esfregar seu sexo sobre o dele, escraviza-lo de prazer. Mas,
antes de fazer tudo aquilo, olhou para uma porta semiaberta, a pecaminosa
mulher enxergou uma rapariga de aproximadamente dezessete anos, despindo-se de
seu baby doll e se estirando de quatro na cama. A mulher quase caiu para trás,
consternada com o que vira. Rapidamente saiu por onde havia entrado, esquecendo
até mesmo de pegar o açúcar que havia pedido ao seu deus grego. Chorou a noite
inteira e prometeu vingar-se daquele homem que nem mesmo era seu. Diz o povo
que primeiro ela pensou em delatar o homem a sua esposa, mas logo achou fraco
demais àquela vingança.
Foi então que ela teve a nojenta ideia, a mais porca possível.
A mulher entendia muito bem de encanação, pois seu falecido pai trabalhara com
isso, e ela, que até os vinte e tantos anos tinha comportamentos, digamos, masculinos,
se interessara muito pelo o trabalho braçal do pai, de modo que adquiriu
bastantes conhecimentos do assunto. Com uma destreza de verdadeiros encanadores
e profissionais da área, a mulher desviou o cano do ralo do banheiro do homem
para o seu chuveiro, uma operação que lhe custara três dias seguido de árduo
trabalho, incluindo até mesmo a madrugada. As siamesas casas e as tubulações
expostas daquele tempo também facilitaram muito aquela ideia absurda.
A mulher sabia que, como a sua esposa estava viajando e que
nem toda a noite ele poderia levar uma mulher para a sua casa, visto que a
vizinhança tem a língua afiada, ele se masturbaria no banheiro, afinal os
homens não conseguem ficar dois dias sem dar uma gozada, principalmente quando
se é novo de trinta e poucos anos como era aquele homem; aquele esperma, então,
gozado com o pensamento sabe lá em quem, correria para o seu chuveiro, que na
verdade era um cano grosso que espatifava no piso do banheiro, mas, naqueles
dias, ela usara um balde para que aquela água imunda se alojasse e ficasse ali
parada, assim seria mais fácil encontrar vestígios de esperma.
Mas qual era a sua intenção
em fazer isso?
Pegar o esperma e filtrar em sua vagina.
A mulher engravidou e teve, apesar da nojenta gravidez, um
lindo menino.
Mas como poderia
provar que de fato era dele?
Simples. Através do enorme sinal da cruz, idêntico ao do
homem e no mesmo, meticulosamente no mesmo lugar que a do dele. Não houve como
refuta-la sobre isso. O menino era a cara do pai, e a esposa do homem pediu o
divórcio e acabou com a vida daquele adúltero. O homem quase ficou louco, não
encontrava razão para aquilo. A mulher, depois de tudo aquilo, desapaixonou-se
pelo o homem. Tão subitamente assim. Quando uma mulher planeja uma vingança,
até o diabo tem medo.
Por Patrick Santos

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